de que as segundas são uma merda até em sua origem
As coisas não se encaixavam, o lugar, a cama, o apartamento. Na verdade percebeu que era ela quem não se encaixava naquela cena que parecia completamente artificial, montada para a atuação de outra pessoa. Analisando, percebeu que toda essa sensação de estranhamento era apenas a invasão de algo que ela conhecia muito bem, apesar de ter tentado mantê-lo longe desse relacionamento que estava gostando tanto. Era algo que a acompanhava em todos os casos que tivera e, inevitavelmente, havia entrado sorrateiramente e carcomido-os por inteiro.
Téo suportava a raiva e o ódio, sabia que eram sentimentos agressivos, porém, pelo menos, eram algo. Encarava-os como opostos, mas tão importantes quanto ao sentimento de paixão e de atração, todos inevitáveis, gerando-se mutuamente. O que agora a invadia era o oposto disso tudo, o contrário de sentir, a indiferença.
Deu uma longa baforada mirando a escuridão, sabia que o ato de dormir agora ao lado do namorado a conduziria por um caminho perigoso. Todos relacionamentos que conhecia descambavam para esse destino: situações constrangedoras que são suportadas apenas para manter um rótulo imbecil elaborado para dar satisfação ao resto da sociedade sobre um caminho que só diz respeito a eles. Por isso sempre foi avessa a todo esse relacionamento vendido em propaganda como um produto de prateleira. Nunca comemorou o dia dos namorados e jamais noivaria, entretanto sentia que se ficasse mais naquela cama, estaria seguindo diretamente para essa direção.


1 Comments:
Você é demais, cara.
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